Fernando Ferro diz que Petrolândia tem uma dívida histórica com os reassentados de Itaparica
Durante audiência pública na Câmara de Petrolândia, ex-deputado relembrou a mobilização dos atingidos pela Barragem de Itaparica, defendeu o legado do Polo Sindical e cobrou responsabilidade social do Estado brasileiro.

A audiência pública realizada no último sábado, na Câmara Municipal de Petrolândia, para discutir a Repactuação do Sistema Itaparica, reuniu lideranças políticas, representantes dos reassentados e movimentos sociais em mais uma etapa da busca por soluções para as demandas históricas das famílias atingidas pela construção da Barragem de Itaparica.
Durante o encontro, o ex-deputado federal Fernando Ferro ressaltou que o processo de repactuação representa um novo avanço na tentativa de reparar os prejuízos enfrentados pelos reassentados ao longo de décadas. Em seu discurso, ele destacou que a atual Petrolândia nasceu da mobilização dos trabalhadores organizados pelo Polo Sindical.
“A verdadeira Petrolândia está debaixo d’água. Essa é uma cidade artificial construída com a luta dos assentados do Polo Sindical”, afirmou.
Fernando Ferro lembrou que muitos jovens desconhecem a história da reconstrução do município e o papel desempenhado pelos trabalhadores na conquista da infraestrutura da nova cidade. Segundo ele, prédios públicos, escolas, cemitério e outros equipamentos só foram viabilizados graças à mobilização dos reassentados.
O ex-deputado também fez críticas ao processo de remoção das famílias durante a implantação da barragem, em 1986. Segundo ele, a antiga Chesf promoveu desapropriações com indenizações insuficientes, deixando milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ao recordar o período das mobilizações, Fernando Ferro afirmou que participou da articulação de apoio aos trabalhadores que se deslocavam até Recife para reivindicar seus direitos. Para ele, o Estado brasileiro possui responsabilidade permanente com as comunidades afetadas por grandes obras de infraestrutura.
“Queremos energia, ela é importante para o país, mas essa energia precisa estar a serviço da vida e dos direitos sociais”, declarou.
Veja declaração
Ao encerrar sua participação, Fernando Ferro defendeu que Petrolândia preserve a memória da luta dos reassentados. Segundo ele, a cidade deveria homenagear anualmente o Polo Sindical pelo papel desempenhado na garantia dos direitos das famílias atingidas e na construção da estrutura da nova Petrolândia.




