Empáfia e soberba dos bolsonaristas custam caro, sucumbem diante de Lula e enterram o sonho de voltar ao poder
Por Reinaldo Queiroz

A expressiva votação de Flávio Bolsonaro no primeiro turno alimentou a confiança de seu campo político. O senador terminou a primeira etapa da eleição presidencial de 2026 na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,22 milhões de votos, um resultado que surpreendeu e fortaleceu a expectativa de vitória da oposição no segundo turno.
Mas a vantagem inicial, ao invés de servir como ponto de partida para uma nova ofensiva eleitoral, pode ter contribuído para um clima de acomodação entre setores do bolsonarismo. A confiança cresceu, a possibilidade de vitória passou a ser tratada por muitos como um cenário praticamente consolidado e, nos bastidores políticos, já havia espaço para especulações sobre a composição de um eventual governo e a distribuição de cargos e ministérios.
O problema é que eleição não se ganha por antecipação. E foi justamente nesse intervalo entre a expectativa de vitória e a confirmação nas urnas que Lula e seus aliados intensificaram a mobilização para reverter o resultado.
Da euforia à derrota histórica
A campanha de Flávio Bolsonaro entrou no segundo turno fortalecida por alianças políticas, pelo desempenho nas urnas e pela expectativa de conquistar o Palácio do Planalto. Segundo reportagem do UOL, lideranças do Centrão se aproximaram do senador, enquanto aliados discutiam cargos para um eventual governo. Ao mesmo tempo, Lula reorganizou sua campanha, ampliou alianças e apostou na mobilização das ruas e das redes sociais.
Foi nesse cenário que a empáfia e a soberba passaram a ser apontadas como possíveis fatores políticos para a derrota bolsonarista. A sensação de que a vitória estava próxima pode ter alimentado a acomodação de parte dos apoiadores, enquanto o adversário trabalhava para conquistar os votos que faltavam. Não se tratava apenas de manter a vantagem do primeiro turno, mas de convencer milhões de eleitores novamente.
Lula conseguiu transformar a disputa. A campanha petista investiu em comunicação digital, mobilizou apoiadores e promoveu atos de rua em diferentes cidades. A estratégia também buscou reduzir a abstenção e alcançar eleitores que não haviam comparecido no primeiro turno.
O resultado foi uma virada histórica. Neste domingo (25), Lula venceu o segundo turno com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio Bolsonaro, segundo os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. Foi a primeira vez, desde a redemocratização, que um candidato à Presidência terminou o primeiro turno atrás e conseguiu reverter a desvantagem para vencer a eleição.
O preço de acreditar na vitória antes da hora
A derrota deixa uma lição para o campo bolsonarista: uma votação expressiva não representa uma vitória antecipada. Os mais de 2,2 milhões de votos de vantagem no primeiro turno criaram um cenário favorável a Flávio, mas não garantiram a manutenção dessa diferença. O segundo turno exigia uma nova disputa, com novas estratégias, alianças e mobilização eleitoral.
A questão que fica é se o bolsonarismo conseguirá transformar a votação expressiva de seu candidato em um projeto político capaz de sobreviver à derrota. A família Bolsonaro mantém uma base eleitoral relevante, mas o resultado expõe os limites de uma estratégia que chegou à reta decisiva com expectativas elevadas e terminou derrotada por Lula.
O futuro do bolsonarismo na próxima eleição presidencial permanece em aberto. Será necessário avaliar a capacidade de renovar lideranças, manter alianças, dialogar com eleitores além da própria base e definir quem conduzirá o movimento nos próximos anos. A derrota de Flávio não significa o desaparecimento da direita bolsonarista, mas abre uma nova disputa por liderança, estratégia e rumo político.
No fim, a eleição mostrou que vantagem nas urnas, apoio de lideranças e conversas sobre ministérios não substituem o trabalho necessário para conquistar votos até o último dia. A vitória só se confirma quando as urnas encerram a disputa — e, desta vez, foi Lula quem conseguiu a virada.




