PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro destinada a instituto ligado a assassinos de Marielle
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram tratativas sobre repasse de R$ 199 mil e pedido de ingressos para camarote no Carnaval; Senador diz que verba seguiu a legislação

A Polícia Federal (PF) investiga negociações entre uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar organização criminosa armada ligada aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. O caso veio à tona por meio de reportagem do Estado de São Paulo, que teve acesso a conversas extraídas do celular de Calixto pelos investigadores.
Segundo a apuração, os diálogos ocorreram em 2023 e tratavam da liberação de uma emenda parlamentar de R$ 199 mil, destinada pelo gabinete de Flávio ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). A negociação é hoje um dos focos da Operação Emendatio, deflagrada pela PF em julho para apurar desvios de recursos de emendas federais direcionadas a organizações da sociedade civil no Rio de Janeiro. A ação, autorizada pelo STF, cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão, além de bloquear R$ 100 milhões em bens.
Flávio Bolsonaro não foi alvo dos mandados. A investigação busca reconstituir o trajeto do dinheiro enviado ao Ifop e as circunstâncias em que a destinação da verba foi combinada.
Senador afirma que repasse seguiu a legislação
Procurado, Flávio Bolsonaro afirmou que a destinação da emenda seguiu as regras vigentes e os critérios técnicos do Ministério do Esporte, e que a entidade executora apresentou notas fiscais e devolveu valores não utilizados. Segundo ele, a responsabilidade pela execução dos recursos cabe à entidade beneficiária, não ao parlamentar, cabendo aos órgãos de controle apurar eventuais irregularidades. O senador não comentou diretamente o conteúdo das conversas entre sua assessora e Calixto. As defesas dos irmãos Brazão também foram procuradas: a de Domingos Brazão negou atuação no episódio, e a de Chiquinho Brazão disse desconhecer a investigação.




