Pernambuco amarga terceira Copa seguida sem representantes na Seleção Brasileira; ficou para trás?

A convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2029, divulgada pelo técnico Carlo Ancelotti nessa segunda, reforça um dado que já se tornou incômodo para o futebol pernambucano: pelo terceiro Mundial consecutivo, não há nenhum jogador do estado entre os chamados para representar o Brasil. O ciclo atual ainda chegou a abrir espaço para observação de alguns nomes com origem em Pernambuco, como Joelinton e Kaio Jorge, mas, ao final, o desfecho tem sido o mesmo: ambos fora da lista final, o que é triste para o Estado, mas justo técnicamente falando.
A lista divulgada pelo italiano apenas oficializa uma ausência que já vinha se consolidando ao longo dos últimos ciclos. E ela não pode ser tratada como um fato isolado ou meramente estatístico. Trata-se de um sinal claro de perda de protagonismo de um estado que, historicamente, esteve entre os mais relevantes formadores de talentos do futebol brasileiro.
Nos tempos mais recentes, o estado também esteve ausente de representantes nas Copas do Catar e Rússia. Hernanes, o Profesta, que disputou a Copa de 2014 no Brasil, foi o último pernambucano a ouvir o hino nacional brasileiro dentro de campo em um Mundial.
Em 2010, foi a vez de Josué representar Pernambuco na Copa da África do Sul, atuando como peça de equilíbrio no meio-campo de uma Seleção competitiva, ainda que eliminada nas quartas de final. Já em 2006, Juninho Pernambucano levou o nome do estado ao Mundial da Alemanha e deixou sua marca com um gol de falta contra o Japão, em uma das vitórias da campanha brasileira.
Antes disso, em 2002, Pernambuco teve presença em uma das maiores campanhas da história da Seleção. Rivaldo foi um dos protagonistas do pentacampeonato, com seis gols e atuação decisiva ao longo de toda a competição, dividindo protagonismo com nomes como Ronaldo na conquista do título.
Em 1994, o zagueiro Ricardo Rocha integrou o elenco que encerrou um jejum de 24 anos sem título mundial para o Brasil, consolidando presença pernambucana em mais um momento histórico da Seleção.
Voltando ainda mais no tempo, o estado também teve papel relevante em outras gerações. Na Copa de 1966, Pernambuco contou com dois representantes: Rildo, lateral-esquerdo formado no futebol local e com trajetória marcada pelo Santos Futebol Clube, e Manga, goleiro revelado pelo Sport Club do Recife e ídolo do Botafogo de Futebol e Regatas, considerado uma das maiores referências da posição na história do futebol brasileiro.
Antes disso, Pernambuco já havia sido protagonista em momentos ainda mais simbólicos. Em 1962, o estado esteve presente no bicampeonato mundial com Zequinha, nascido no Recife e com passagem pelo Santa Cruz.
E, talvez como um dos marcos mais emblemáticos da relação entre Pernambuco e a Seleção, está Ademir Menezes, o “Queixada”. Ex-jogador do Sport, foi artilheiro da Copa de 1950 com nove gols, protagonizando uma das campanhas mais marcantes — e dolorosas — da história do futebol brasileiro, encerrada no Maracanaço.
O contraste entre passado e presente é inevitável. Pernambuco atravessa, hoje, uma sequência inédita de Copas sem representantes na Seleção, algo que contrasta com um histórico no qual o estado não apenas participou, mas frequentemente teve papel central.
E essa ausência não pode ser explicada apenas pelo acaso esportivo. Ela também expõe um problema estrutural que se arrasta há anos, envolvendo a fragilidade dos clubes locais e a condução do futebol estadual pela Federação Pernambucana de Futebol, especialmente no que diz respeito à formação, valorização e manutenção de talentos.
Entre ciclos de baixa presença e exceções individuais, o fato é que Pernambuco perdeu espaço no cenário mais alto do futebol mundial. E, hoje, o que antes era presença constante virou lembrança histórica.




